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30 de outubro de 2026 – Em uma transmissão ao vivo do Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentaram, respectivamente, suas propostas de reajuste do salário mínimo e das aposentadorias, gerando amplo debate sobre os efeitos nas finanças familiares e no orçamento federal. O anúncio ocorreu após a divulgação dos últimos números de inflação pelo Banco Central do Brasil, que registrou alta de 4,2% nos últimos 12 meses, e antes da abertura da sessão extraordinária da Câmara dos Deputados para discutir a pauta salarial.
Segundo a proposta do governo Lula, o salário mínimo passaria de R$ 1.320,00 para R$ 1.500,00 a partir de 1º de maio de 2027, representando um aumento real de cerca de 13,6% em relação ao valor atual. O plano inclui ainda a elevação do piso das aposentadorias em 12% ao ano, com indexação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) mais um adicional de 1 ponto percentual, medida que, segundo o Ministério da Fazenda, custaria aproximadamente R$ 45 bilhões ao Tesouro em 2027. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro propôs um reajuste mais moderado para o salário mínimo, de 6,5%, elevando-o para R$ 1.405,00, e sugeriu a manutenção da regra de reajuste das pensões apenas ao IPCA, sem o adicional, estimando um impacto fiscal de R$ 22 bilhões. As duas linhas de ação foram detalhadas em documentos oficiais enviados ao Congresso Nacional nesta manhã.
A proposta de Lula tem como base a necessidade de recuperar o poder de compra dos trabalhadores, que perderam 8,3% da renda real no último ano, de acordo com levantamento do IBGE. O governo argumenta que o aumento do salário mínimo impulsionaria o consumo interno, que já responde por 60% do PIB, e que a elevação das aposentadorias reduziria a desigualdade de renda entre idosos e a população ativa. Por outro lado, Flávio Bolsonaro, que lidera a bancada do PL no Senado, alertou para o risco de desequilíbrio fiscal, citando que a dívida pública bruta já supera 90% do PIB e que “um salto de quase 14% no salário mínimo pode gerar um efeito dominó de aumento de custos para as empresas, pressionando a inflação ainda mais”.
Em entrevista ao programa “Jornal da Manhã”, Lula afirmou: “É inadmissível que trabalhadores que ganham um salário mínimo continuem a perder poder de compra; o reajuste proposto é justo e necessário para garantir dignidade”. Já Flávio Bolsonaro, ao ser questionado, declarou: “Precisamos de responsabilidade fiscal; o aumento proposto pelo governo é insustentável e pode comprometer a estabilidade macroeconômica que tanto lutamos para alcançar”. O economista-chefe da B3, Carlos Henrique de Oliveira, comentou que “um aumento mais contido, como o sugerido por Flávio, pode ser mais compatível com a meta de inflação de 3% ao ano, mas corre o risco de não atender às demandas de renda da população”.
Nos próximos dias, a proposta de Lula será encaminhada ao Conselho de Política Econômica, que deverá emitir parecer até 15 de novembro, enquanto a emenda de Flávio Bolsonaro será incluída na pauta da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, com votação prevista para a primeira semana de dezembro. Caso ambas as propostas avancem, o Congresso terá que deliberar sobre um eventual pacote de compensação fiscal, que pode incluir aumento de arrecadação ou corte de gastos, tema que deverá ser debatido em audiência pública no Supremo Tribunal Federal caso haja questionamento de constitucionalidade. A decisão final, esperada para o final de janeiro de 2027, definirá o patamar salarial que afetará cerca de 33 milhões de trabalhadores formais e informais, bem como os 30 milhões de aposentados que recebem benefícios vinculados ao salário mínimo.
Conforme apuração publicada pelo BBC, as divergências entre os dois projetos refletem não apenas diferenças ideológicas, mas também estratégias distintas para equilibrar crescimento econômico e sustentabilidade das contas públicas.
