Em 1º de novembro de 2024, o primeiro‑ministro interino Benjamin Netanyahu declarou que a eleição para a 25ª Knesset, realizada na noite anterior, foi marcada por irregularidades e pediu a anulação dos resultados após seu bloco, Likud, não alcançar a maioria necessária para formar governo. A contestação foi feita em discurso transmitido ao vivo da sua residência em Jerusalém, onde o líder conservador acusou “fraude massiva” e “interferência estrangeira” que, segundo ele, teriam alterado o voto popular. O pedido de revisão foi encaminhado à Comissão Eleitoral Central de Israel, que tem até 30 dias para responder, conforme a lei eleitoral israelense.
A votação, que contou com a participação de cerca de 4,7 milhões de eleitores – 71,2% do eleitorado habilitado – resultou em um parlamento fragmentado, sem nenhum bloco alcançando a maioria dos 120 assentos. O Likud ficou com 31 cadeiras, enquanto a coalizão de centro‑esquerda liderada por Yair Lapid obteve 29. Outros partidos menores, como o Yamina, o Shas e o Meretz, dividiram os 60 assentos restantes, dificultando a formação de uma maioria estável. Segundo apuração publicada pelo Brasil de Fato. A falta de maioria obriga a formação de coalizões que, tradicionalmente, exigem negociações intensas entre partidos com agendas divergentes.
A Comissão Eleitoral Central, responsável pela supervisão do processo, já havia alertado, em comunicado anterior, sobre a presença de “tentativas de desinformação” nas redes sociais, mas não encontrou indícios de manipulação direta nas urnas. Ainda assim, o pedido de Netanyahu de investigação foi acatado, e a comissão prometeu “revisar todas as denúncias apresentadas” dentro do prazo legal. Em paralelo, o Ministério da Justiça israelense abriu um inquérito preliminar para apurar possíveis violações de campanha, conforme divulgado no site oficial da Comissão Eleitoral Central de Israel.
“É inaceitável que o voto dos cidadãos seja subvertido por agentes externos”, afirmou Netanyahu em entrevista à CNN Brasil. “Exigimos transparência total e a anulação imediata dos resultados, sob pena de minar a soberania do Estado”. Do outro lado, o líder da oposição Yair Lapid rebateu a acusação, dizendo que “não há evidência concreta que sustente tais alegações e que a tentativa de deslegitimar o processo democrático só aprofundará a crise política”. O porta‑voz do Likud, Gilad Erdan, acrescentou que “as instituições israelenses são fortes e irão conduzir qualquer investigação com rigor, mas não podem ser usadas como ferramenta política”.
Nos próximos dias, o presidente do Estado, Isaac Herzog, deverá convocar uma reunião extraordinária da Knesset para deliberar sobre a continuidade do governo interino e definir o calendário para eventuais novas eleições, caso a comissão conclua que a fraude foi efetiva. Analistas políticos da Universidade Hebraica de Jerusalém preveem que, mesmo com a anulação, a formação de um governo estável pode levar até três meses, dada a fragmentação do parlamento. Enquanto isso, observadores internacionais, incluindo a União Europeia e os Estados Unidos, pediram “respeito ao processo democrático” e monitoramento independente das investigações, conforme comunicado do Governo Federal.
A situação permanece volátil, com manifestações de apoiadores de ambos os lados nas ruas de Tel Aviv e Jerusalém, e a comunidade internacional acompanhando de perto o desenrolar da crise política que pode redefinir o futuro da democracia israelense.
