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Lula é orientado por Itamaraty a não dar corda para Milei e Trump no episódio da fuga de Flávio

Lula é orientado por Itamaraty a não dar corda para Milei e Trump no episódio da fuga de Flávio

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Por Tiago Ramos, Jornalista de Rua e Plantão Urgente· 30 de outubro de 2026
Lula é orientado por Itamaraty a não dar corda para Milei e Trump no episódio da fuga de Flávio
Fonte: Estadão / Reprodução

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30 de outubro de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi orientado pelo Ministério das Relações Exteriores a não ceder a pressões externas de Javier Milei, presidente da Argentina, e do ex‑presidente dos Estados Unidos Donald Trump, ao avaliar a repercussão diplomática da fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA. A orientação, transmitida por meio de nota interna do Itamaraty, chega em meio a um clima de tensão entre Brasília, Washington e Buenos Aires, que tem acompanhado de perto as movimentações do filho do ex‑presidente Jair Bolsonaro, acusado de investigação criminal e que teria buscado apoio internacional para escapar da justiça brasileira.

A tentativa de saída de Flávio Bolsonaro, registrada na última semana, envolveu a reserva de voo privado em Miami e contato com assessores ligados ao círculo de Trump. Fontes do Ministério da Justiça confirmaram que o ex‑senador foi impedido de embarcar após intervenção da Polícia Federal, que bloqueou a passagem sob ordem judicial. Simultaneamente, o governo argentino, liderado por Milei, manifestou apoio ao “direito de livre circulação” de cidadãos brasileiros, gerando preocupação no Palácio do Planalto sobre possíveis retaliações diplomáticas. O Itamaraty, por sua vez, recomendou que Lula “não abra precedentes que possam ser interpretados como concessão a pressões externas” e que aguarde a “descida da temperatura política” antes de tomar qualquer decisão sobre a nomeação de um novo embaixador dos EUA.

Em entrevista coletiva, o presidente Lula afirmou que “a soberania nacional não pode ser negociada por interesses externos” e que o governo manterá a “linha firme” nas relações bilaterais, mesmo diante de “sinais de interferência” de autoridades estrangeiras. “Não vamos permitir que a fuga de um filho de ex‑presidente se transforme em crise diplomática”, disse o mandatário, que também ressaltou a necessidade de “preservar a ordem constitucional”.

Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, reforçou a orientação do Itamaraty ao declarar que “qualquer decisão sobre a nomeação de embaixador dos Estados Unidos será tomada apenas após avaliação completa dos impactos internos e externos”. O ministro ainda destacou que “o governo está em contato direto com o Departamento de Estado e com a Casa Rosada para garantir que nenhum ato isolado comprometa a agenda diplomática brasileira”.

Especialistas em política externa, como a professora de relações internacionais da USP, Ana Carolina Silva, alertam que a situação pode “acelerar um debate interno sobre a independência da política externa frente a pressões de líderes populistas”. Silva acrescentou que “o alinhamento com Trump ou Milei poderia gerar repercussões negativas nas negociações comerciais e de segurança que o Brasil tem com a União Europeia e com o Mercosul”.

Nos próximos dias, o Palácio do Planalto deve anunciar a data da reunião do Conselho de Governo para definir a estratégia de resposta ao caso Flávio Bolsonaro e a eventual aprovação do indicado a embaixador nos EUA. Enquanto isso, o Congresso Nacional prepara audiências para avaliar a atuação da Polícia Federal e a possível interferência externa, com votação prevista para a primeira semana de novembro. O Itamaraty continuará monitorando as declarações de Milei e Trump, mantendo o governo em alerta para evitar escaladas que possam comprometer a imagem do Brasil no cenário internacional.

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